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Charqueada São João - Ver no mapa

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Charqueada São João será escavada por alunos da UFPEL

Publicado 29/01/2016 17:17

Mais dois locais irão compor o roteiro do projeto O Pampa Negro: A Arqueologia da Escravidão na Região Meridional do Brasil e se transformar em pontos de escavação. Pesquisadores e acadêmicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) irão se dividir entre a Chácara da Brigada Militar e a Charqueada São João. Tudo com objetivo de buscar materialidade no passado para propor uma revisão do olhar sobre presente e futuro. Já são cinco anos de trabalho e nove charqueadas estudadas. Um desbravar longe de chegar ao fim.

As pretensões do grupo estão assinaladas nos mapas, com um foco que se espalha entre o campo e a cidade. “É um trabalho que não busca só o escravo. Como Ciência Social, buscamos entender as relações de poder e o sistema escravista que existia nas charqueadas”, explica o professor Lúcio Menezes, coordenador do projeto. E ainda há muito a ser revelado, em um universo rico, que também passa por hábitos e costumes desses homens e mulheres: religiosidade, música e alimentação; para além do charque, servido como ração a animais.

Enfim, a autorização

Depois de quatro anos de espera, estão liberadas as escavações na Chácara da Brigada Militar, às margens do canal São Gonçalo. A Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) concedeu a autorização. E há muito a comemorar. Muito a garimpar. Trabalhos de campo, análise sobre mapas históricos e leitura de inventários demonstram que a área - de 65 hectares - possui vestígios de, pelo menos, quatro charqueadas. E foi também ali, naquelas terras, que os atiradores farroupilhas auxiliavam sua marinha na única batalha naval até o final da Revolução, em 1845, em que os rebeldes venceram.

Era madrugada de 2 de junho de 1836. Localidade de Passo dos Negros. O confronto, violento, se estendeu por seis horas, das 5h às 11h. Os 800 cavaleiros e os 200 homens de infantaria tinham um objetivo: transpor o canal São Gonçalo através do ponto mais estreito - na junção com o arroio Pelotas - e seguir em direção a Rio Grande. E conseguiram, apesar da baixa de quatro integrantes em suas fileiras.

São fatos e cenários que precisam ser valorizados. E a arqueologia é ferramenta fundamental neste processo.

Expectativa por revelações

A Charqueada São João, erguida entre 1807 e 1810, prepara-se para entrar no roteiro do Pampa Negro. Será entre os meses de fevereiro e março. E não será a primeira vez que as terras - que pertenceram ao português Antônio José Gonçalves Chaves - serão escavadas. A primeira foi em 1982, mas as peças estão na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na capital do Estado. A segunda foi no início da década de 1990 e ajudou a dar origem ao livro Negros, charqueadas e olarias, da professora da UFPel, Ester Gutierrez.

Ainda assim, o entusiasmo é grande. “É preciso conhecer mais pra poder valorizar. Estou ansioso pra que o trabalho comece”, resume o empresário Marcelo Mazza Terra. E admite: espera que a decisão de firmar parceria com os pesquisadores, possa servir de exemplo a quem vê o kit de fitas métricas, estiletes, escovas, pincéis, baldes, pás e peneiras com desconfiança. E vai além: aposta que as preciosidades que estão por vir ajudarão a reforçar a sustentabilidade da São João, onde o turismo é ponto alto há anos, com visitas guiadas, passeio de barco e gastronomia.

As informações de onde se localizavam os tanques de salmoura, assim como a senzala, devem contribuir à definição de áreas estratégicas para abertura das quadrículas. Um compromisso sem dia certo para começar nem data carimbada para chegar ao fim. “O que mais conhecemos é a parte desumana, de sacrifício incontestável. Mas existe toda uma vida, de costumes do africano, para ser explorada”, destaca o empresário.

É um cenário, de dor, que até hoje volta vivo à memória. A cada safra - de novembro a maio - o arroio Pelotas tingia-se de vermelho. Transformava-se em rio de sangue, como resultado da matança dos animais. Uma rotina de cerca de 16 horas de serviço pesado. Sofrimento. Mortes prematuras. É o Ciclo do Charque e suas marcas.

 

 

Fonte: Diário Popular

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